Enigmático Poe


Edgar Allan Poe (1809-1849)
Edgar Poe nasceu em 09 de janeiro de 1809, em Boston, e faleceu em 1849, em Baltimore. Em seus 40 anos de vida, sucessos literários misturaram-se a tragédias pessoais, dentre as quais se destacam as circunstâncias enigmáticas de sua morte.
 
Houve uma curta e dramática convivência entre Poe e seus pais biológicos, ambos atores: o pai abandonou a família em 1810 e a mãe faleceu de tuberculose em 1811. Edgar acabou separado também de seus irmãos, uma vez que o mais velho foi morar com os avôs e a mais nova foi adotada por uma família de Richmond. O destino de Edgar também foi a adoção; ele foi acolhido por John e Frances Allan, ricos comerciantes, de quem o sobrenome Allan foi um legado.
 
A vida no seio de sua nova família propiciou ao infante Edgar viagens e boa educação. Por outro lado, seus constantes desentendimentos com o pai adotivo provocaram mágoas recíprocas e distanciamento. Na juventude, o temperamento boêmio do jovem Edgar acirraria tantos os desentendimentos que John Allan o tiraria da Universidade da Virgínia, onde se destacava nos esportes e estudava línguas latinas. As bebedeiras e jogatinas prejudicavam seus estudos.
 
A primeira decepção amorosa do jovem Poe levou-o a fugir de casa, retornando para Boston. Em meio a suas frustrações e amarguras, escreveu Tamerlane and other poems (1827), no qual se nota forte influência de Lord Byron. Ainda em 1827, Poe alistou-se no exército, mas acaba sendo expulso em 1831. John Allan encontra o filho e envia-o para estudar em West Point, donde também é expulso.
 
Quando Poe decidiu dedicar-se inteiramente à literatura, mudou-se para New York, onde começou a colher frutos de seus esforços e talentos, ganhando, em 1833, um prêmio em dinheiro pelo conto Manuscript found in a bottle. No mesmo ano, assumiu o cargo de redator e crítico do Southen Literacy Messenger e casou-se com sua prima Virginia Clemm, de 13 anos.
 
Destacando-se como crítico literário, Poe trabalhou em diversos jornais e periódicos, além de produzir suas próprias obras poéticas e narrativas. Tornou-se um autor reconhecido e um crítico prestigiado, mas, sem abandonar hábitos noturnos – que incluíam ópio, bebidas e jogos –, teve uma vida financeira conturbada. A morte de sua esposa, Virgínia, em 1847, tornou-o quase um desequilibrado. A essa altura, sua saúde estava também muito debilitada.
 
No dia 03 de outubro de 1849, Edgar Allan Poe foi encontrado inconsciente em uma rua de Baltimore. Ele morreu quatro dias depois, de causas indeterminadas. Cogita-se do alcoolismo, mas sempre houve suspeitas de envenenamento.
 
Poe é considerado o precursor da literatura policial por ter usado, originalmente, os elementos que se tornariam referência para construção de contos e romances desse viés. Em 1841, com a publicação …, percebe-se seu gosto pelo enigma. Mesmo em seus contos de terror ou no romance, o componente enigmático estará presente.
 
As aventuras de Arthur Gordon Pym, há sempre um enigma proposto ao leitor, incitando-o a envolver-se na trama e, de certa forma, a participar dela.
 
Pelo menos três méritos literários de Edgar Allan Poe são, além de indiscutíveis, conhecidos pelo grande público. Ele (1) foi o precursor da literatura policial, (2) consagrou-se o mestre do terror e (3) elevou o conto a gênero textual de prestígio literário.
 
  

Literatura policial

The murders in the rue Morgue, o público conheceu C. Augeste Dupin – e fascinou-se por um homem capaz de desvendar os mais enigmáticos dos crimes por meio do emprego de um método de raciocínio analítico e sistemático.

Auguste Dupin é o detetive-protagonista em apenas três contos:

São apenas três narrativas curtas, mas nelas Poe estrutura um novo gênero literário no qual um crime será desvendado de maneira surpreendente. O protagonista-detetive é o ponto central da estrutura narrativa, mas não por causa de suas ações. Importa, sobretudo, o seu raciocínio! Uma vez descrito o crime violento e inusitado, resta ao protagonista evidenciar a forma lógica como chegou à solução do problema.

Os contos detetivescos de Poe constroem-se no tempo presente e com foco narrativo na 1ª pessoa, sendo que o narrador apresenta-se como amigo e admirador do detetive. Contudo, não sabemos seu nome.
  
Nota

» O vilão não tem voz nos contos policiais de Poe. Toda a narrativa é feita pelo amigo anônimo do detetive Dupin. A maneira como ocorreu o crime, sua motivação bem como toda a sorte de descobertas e conjecturas são apresentadas, na forma de diálogo, pela voz do próprio detetive, quando este explica a seu fiel amigo o percurso de raciocínio que levou a desvendar o mistério.

 

Literatura fantástica

Poe também foi reconhecido como mestre do terror, em razão de suas narrativas primorosamente amedrontadoras.
Neste blog, você poderá notar como o discurso do vilão apresenta-se como estratégia de construção do mistérios, nos posts:
 

 

REFERÊNCIA

ARAÚJO, Ricardo. Edgar Allan Poe: um homem em sua sombra. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2002.

 LOURENÇO, Rodolfo; MOTTA, Me Taíse. A contribuição de Edgar Allan Poe ao conto. Disponível em: http://www.unisa.br/graduacao/humanas/letra/alunos/a-contribuicao.pdf. Acesso em: 09 jan. 2013.

POE, Edgar Allan. Tales of mistery and imagination. London: Collector’s Library, 2003.
POE, Edgar Allan. Assassinatos na rua Morgue e outras histórias. São Paulo: Saraiva, 2009.
 

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