Sobre eleições

Militância à parte, porque seus adeptos costumam declarar amor incondicional a partidos ou pessoas, a maior parte dos brasileiros afirma não gostar de política. E não só isso: ressoa diuturnamente na voz do cidadão comum a antipatia pela política e o sentimento de que ela só se serve à corrupção. Muitos vão votar com má vontade e sem economizar reclamações que descredenciam os candidatos (todos eles).

Subjaz a essa posição a seguinte ideia: quem lida com política é gente que busca o enriquecimento ilícito. São, portanto, malfeitores por natureza, interessados em se dar bem a qualquer custo e, sobretudo, à custa dos cofres públicos.

A tira abaixo, publicada no jornal Hoje em dia, na véspera do segundo turno da eleição mais acirrada da década, deixa transparecer justamente essa ideia lastimável.

HOJE EM DIA, Belo Horizonte, 24 de outubro de 2014. Almanaque, p. 32.

Se as eleições se resumissem a trocar um rato pelo outro, não haveria razão para o cidadão (por intermédio do Estado) despender tanto tempo e dinheiro nesse processo. Enquanto predominar essa crença, será difícil ocorrer o desenvolvimento da democracia brasileira. O raciocínio implica uma tese perversa: a de que não há saída para o Brasil, que está condenado ao rodízio de vilões capazes de arranchar o pão da boca de criancinhas.

Será que algum brasileiro admitiria que prefere alguém que lhes governe a existência com poder ilimitado e absoluto? Por que, então, tanta repulsa à Ditadura? Essas duas perguntas deveriam bastar para que qualquer pessoa percebesse a importância de acompanhar cotidianamente a política nacional e passasse a valorizar seu voto.

51 thoughts on “Sobre eleições

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