The murders in the rue Morgue

Tryth is not always in a well.


Os assassinatos na rua Morgue é o conto com que, em 1841, Edgar Allan Poe inaugurou a literatura policial. É história de um assassinato tenebroso: uma idosa senhora e sua filha são encontradas cruelmente mortas em sua residência. Não bastasse a violência desmedida, as circunstâncias do crime eram misteriosas.
Um crime aparentemente inexplicável


Gritos foram ouvidos durante a madrugada, oriundos da residência da senhora l’Espanaye. Uma legião de vizinhos corre em seu socorro; encontrando a porta da trancada, fazem esforços de abri-la. Quando finalmente conseguem adentrar a residência, percebem movimentação no andar superior, especificamente no quarto das mulheres, de onde emanam duas vozes que parecem discutir. Não se ouvem mais os gritos das mulheres; uma das vozes parece ser de um francês em atitude de admoestação, mas a outra é ininteligível. Há, dentre os solícitos cidadãos, homens de diversas nacionalidades, contudo nenhum é capaz de identificar uma palavra dita pela voz misteriosa ou, sequer, identificar sua nacionalidade.

No andar superior, os homens deparam-se com outra porta trancada por dentro. Quando finalmente conseguem arrombá-la, veem uma cena horripilante. A descrição da cena do crime é dada, não pela voz do narrador, mas por meio das notícias de jornal:

EXTRAORDINARY MURDERS – This morning, about three o’clock, the inhabitants of the Quartier St Roch were found aroused from sleep by a succession of terrific shrieks, issuing, apparently, from the fourth storey of a house in the Rue Morgue, known to be in sole occupancy of one Mme L’Espanaye, and her daughter, Mlle Camille L’Espanaye. After some delay, occasioned by a fruitless attempt to procure admission in the usual manner, the gateway was broken in with a crowbar, and eight or ten of the neighbours entered, accompanied by two gendarmes. By this time the cries had ceased; but, as the party rushed up the first flight os stairs, two or more rough voices, in angry contention, were distinguished, and seemed to proceed from the upper part of the house. As the second landing was reached, these sounds, also, had ceased, and everthing remained perfectly quiet. The party spread themselves, and hurried from room to room. Upon arriving at a large back chamber in the fourth storey (the door of which, being found locked, with the key inside, was forced open), a spectacle presented itself which struck everyone present not less with horror than with astomishment.
The apartment was in the wildest disorder  the furniture broken and thrown about in all directions. There was only one bedstead; and from this bed has been removed, and thrown into the middle of the floor. On a chair lay a razor, besmeared with blood. On the hearth were two or three long and thick tresses of grey human hair, also dabbled in blood, and seeming to have been pulled out by the roots. Upon the floor were found four napoleons, an earing of topaz, three large silver spoons, three smaller of métal d’Alger, and two bags, containing nearly four thousand francs in gold. The drawers of a bureau, which stood in one corner, were open, and had been, apparently, rifled, although many articles still remained in them. A small iron safe was discovered under the bed (not under the bedstead). It was open, with a key still in the door. It had no contents beyond a few old letters, and other papers of little consequence.
Of Mme L’Espanaye no traces were here seen; but an unusual quantity of soot being observed in the fireplace, a search was made in the chimney, and (horrible to relate!) the corpse of the daughter, head downward, was dragged therefrom; it having been thus forced up the narrow aperture for a considerable distance. The body was quite warm. Upon examining it, many excoriations were perceived, no doubt occasioned by the violence with which it had been thrust up and disengaged. Upon the face were many severe scratches. and, upon the the throat, dark bruises, and deep indentations of finger nails, as if the deceased had been thottled to death.

After a thorough investigation of every portions of the house, without further discovery, the party made its way into a small paved yard in the rear of the building, where lay the corpse of the old lady, with her throat so entirely cut that, upon an attempt to raise her, the head fell off. The body, as well the head, was fearfylly mutiled  the former so much so as scarcely to retain any semblance of humanity. 

Auguste Dupin e seu amigo (o narrador anônimo) tomam conhecimento do acontecimento  justamente por meio do noticiário. Foi para retribuir um favor a Adolphe Le Bon, principal suspeito, e  talvez  dar mostra de suas habilidades ao amigo, que Dupin envolve-se na investigação.

Após uma visita ao local do crime, Dupin publica um anúncio no Le Monde e poe-se a meditar. O referido anúncio dizia:

CAUGHT – In the Bois de Boulogne, early in the morning of the __ isnt. [the morning of the murder], a very large, tawny orange-utan of the Bornese species. The owner who (who is ascertained to be a sailor, belonging to Maltese vessel, may have the animal again, upon identifying it satisfactory, anda paying a few charges arising from its capture and keeping. Call at No. ___, Rue ___, Fabourg St Germain – au troisième.


No dia seguinte, Dupin já tem todo o mistério resolvido. Ele anuncia isso a seu amigo, dizendo que estava à espera de que entrasse pela porta de sua residência um marinheiro francês pertencente a um navio maltês, fato que será a prova definitiva de suas precisas conclusões.

Decerto, minutos depois, tal homem aparece. É necessária uma rápida intimidação para que ele confesse seu conhecimento acerca dos fatos. Então, o leitor  juntamente com o narrador  toma conhecimento de que a morte das mulheres deveu-se à ira de um animal: um orangotango. O animal escapara da cela e, diante do chicote que ameaça encarcerá-lo novamente, fugiu e acabou subindo por uma corrente até os aposentos da senhorita l’Espanaye. É provável que os animal tenha se assustado com os gritos da mulheres, avançando sobre elas. Depois que escalou pela mesma corrente, o marinheiro pôde apenas ver o massacre que se consumara.

Novamente apavorado  diante da presença de seu dono, o animal tenta esconder os corpos, jogando o da senhora l’Espanaye pela janela e empurrando o da filha dela para dentro da lareira. Depois foge, deixando atrás de si toda a aquela sangrenta desordem.

Estrutura da narrativa


Foco narrativo: 1ª pessoa (narrador anônimo que se apresenta como amigo de Auguste Dupin).

Ambiente: Paris, no século XIX.

Personagens: Auguste Dupin (protagonista), narrador-anônimo, marinheiro (proprietário do orangotango).

Partes da narrativa:
  • introdução: discussão acerca das faculdades analíticas e descrição de como o narrador conheceu Dupin;
  • desenvolvimento: notícias de jornal que descrevem o crime e a visita de Dupin à cena do crime;
  • desfecho: explicação dada por Dupin quanto às razões e circunstância do crime.


Nota
O conto ganhou versões para o cinema, sendo interessante observar que, em tais versões, o assassinato acaba sendo atribuído a um ser humano. Mesmo quando o orangotango é responsabilizado pelas mortes em si, existe uma mente humana assassina por detrás de suas ações.


Disponivíel em: https://www.youtube.com/watch?v=LQ0WQKV_gLo.Acesso em: 12 jan. 2013. 
Trailer for Universal Pictures’ classic 1932 version of Edgar Allan Poe’s Murders in the Rue Morgue, 
starring Bela Lugosi as Dr. Mirakle, Sidney Fox, Leon Ames, Noble Johnson, Arlene Francis,
and Charles Gemora as Erik the ape.



A banda Iron Maiden inspirou-se no conto de Poe na canção The murders in the rue Morgue. A releitura preserva a ideia de dúvida quanto ao assassino.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_RLTpm_7rLM. Acesso em 12 jan. 2013.

Referências

POE, Edgar Allan. Assassinatos na rua Morgue e outras histórias. São Paulo: Saraiva, 2009.
LOURENÇO, Rodolfo; MOTTA, Me Taíse. A contribuição de Edgar Allan Poe ao conto. Disponível em: http://www.unisa.br/graduacao/humanas/letra/alunos/a-contribuicao.pdf. Acesso em: 09 jan. 2013.
ARAÚJO, Ricardo. Edgar Allan Poe: um homem em sua sombra. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2002.

6.552 thoughts on “The murders in the rue Morgue